Um papo...

Mudanças, crescimento… De dentro para fora!

reeducação alimentar, dieta, atividade física

Antes e durante… Porque não faço questão de um depois! Ambos foram dias felizes, a diferença é que na primeira foto eu não me via daquela forma, daquele tamanho… {Fotos: Ruby Fernandes}

Um pouco mais de dois anos separam essas duas fotos e hoje posso, com toda certeza, afirmar que são duas pessoas totalmente diferentes… FisicaNem melhor e nem pior, apenas diferentes. Para começar eu queria esclarecer que estou escrevendo isso aqui como depoimento 500% pessoal e apesar de algumas pessoas terem perguntando “Mas o que foi que você fez?”, com o surgimento das mudanças físicas, resolvi escrever sobre isso agora, porque somente agora me sinto confortável o suficiente para falar. Sim, meu peso sempre foi um assunto muito delicado para mim e eu sempre vivi de dieta, apesar de ter sido de fato OBESA por um período de aproximadamente 4 anos, na maior parte da minha vida eu tive apenas sobrepeso. Mas sempre fui grande demais, principalmente em comparação a outras meninas do meu convívio e com isso me sentia pressionada a ser como elas, mesmo tendo um biotipo totalmente diferente.

Então, eu não lembro de nenhuma fase na minha vida em que eu não estivesse de dieta… Talvez na infância, que é quando a gente não controla 100% o que come, rs. Mas eu cheguei a me privar de alimentos por horas, dias e fazia refeições malucas, para depois “jogar tudo a perder” para compulsão. Vivi assim por muito tempo, até que tive acesso às pílulas mágicas, de todas as cores e formas que se possa imaginar… Anorexígenos, diuréticos, laxantes, inibidores… Atividade física nunca gostei e quando fazia era sempre por pressão. Os momentos de compulsão não foram embora, mas com as pílulas eu não me sentia tão culpada. Os primeiros consegui com receita médica e com eles cheguei no menor peso que ja tive, só não durou muito, pois foi só parar de tomá-los que voltei a ganhar peso. Não podia ir ao médico novamente, mas foi relativamente fácil ter acesso aos remédios informalmente, vivi assim por alguns anos, pois conseguia manter um peso “ok” e comer. Até que começaram efeitos colaterais diversos (insônia, irritabilidade, sudorese, taquicardia…), ja morava sozinha e trabalhava fora, procurei outro médico (um endocrinologista) e depois de alguns exames, descobri que lasquei minha tireóide… Literalmente! Ainda não tinha diagnóstico fechado, precisava de mais exames, mas agora eu tinha um vilão. E foi quando decidi parar de tomar remédios, não foi fácil porque ja era um vício, mas substituí por comida e comecei a engordar de verdade, culpava a tireóide e tava tudo “bem”. Engano meu, né? Porque eu não parava de engordar e não me sentia bem, quando pensava em mudar, eu mesma boicotava tudo por causa da tal “tireóide”.
E foi aí que comecei a atrasar minha vida, seja uma viagem, uma tatuagem, um corte de cabelo… Não podia fazer nada, porque era GORDA! Era como se minha vida só fosse “recomeçar”quando eu fosse magra.

Tentei “me aceitar” ser quem eu sou e foi quando eu raspei a cabeça, não sei porque decidi isso, mas foi meio “libertador” de certa forma. Mas percebi que eu não podia aceitar aquilo que eu não reconhecia. Comecei um dieta, mais uma, mas dessa vez tentei algo próximo a uma reeducação alimentar e consegui perder uns 4 quilos. Fiquei feliz e me matriculei na hidroginástica. Fazia com pessoas mais velhas e isso me deixava mais confortável, mas logo comecei a faltar, o contrato da academia venceu e desisti novamente. Me sentia meio sem disposição e fui procurar um médico, quem sabe eu descobria o que eu tinha de fato na tireóide. E assim fiz, mais exames, alguns super chatos (punção/biópsia) e veio o resultado…

_Sua tireóide tem um nódulo em cada lóbulo, mas eles são normofuncionante!
_Hãn?
_Então, pelos exames de imagem antigos e histórico do exames de sangue, parece que os nódulos surgiram bem na época que você relata que tomava remédios para emagrecer. Pois é quando aparecem alterações. Não posso afirmar que a causa deles foram os remédios, ja que você também tem histórico familiar, mas eles não ajudaram… Isso com certeza.
_E o que preciso fazer?
_Acompanhar… A cada 6 meses faremos exames de sangue e imagem, se houver alterações faremos mais exames e prosseguiremos com o tratamento, se for o caso.
_E esses nódulos influenciam de alguma forma no meu ganho de peso?
_Não. Eles não tem características nem de hipo, nem de hiper… Um compensa o outro e eles atuam normalmente, vamos acompanhar e se nada mudar… Vida que segue normal!

Saí de la tonta… Imagina? Logo pensei “O que foi que eu fiz comigo?!”. Além de não ter mais a desculpa pelo meu peso, descobri deficiência de algumas vitaminas e anemia leve. Foi quando decidi que precisava mudar… Eu podia sim “me aceitar”, mas não precisava ser algo que não me representava, algo que me impedia de realizar coisas que eu queria e de ser quem eu queria ser.
Isso foi no começo de 2016. Depois disso comecei a pesquisar estratégias que pudessem me ajudar no meu objetivo. Emagrecer! E em maio de 2016 coloquei o Balão Intragástrico, com o Dr Marcius. Pesquisei muito, me informei, conversei com pessoas que ja tinham passado pelo procedimento e decidi que era o que eu precisava fazer para mim. Foi a melhor decisão que ja tive na vida, apesar da taxa de sucesso do procedimento ser considerada baixa e ser uma técnica temporária, cara e particular (plano de saúde não cobre). Resumindo, é colocado um balão por via endoscópica no estômago e la dentro ele é inflado com azul metileno. Ele ocupa até 70% do estômago e pode ficar até 1 ano (eu coloquei o de 6 meses), é nesse período que começa a reeducação alimentar com uma equipe multidisciplinar (psicólogo, nutricionista e preparador físico) para mudança de vida. Foi difícil, tenso, chato e sentia culpa por tudo. Principalmente porque eu optei contar para poucas pessoas sobre tudo, não por vergonha mas, por não ter a mínima ideia se iria me adaptar, se iria dar certo e porque não era obrigada, rs. Quando as pessoas foram descobrindo, ouvi de tudo… Principalmente coisas negativas (troquei de endócrina, depois que uma médica me disse que remédios inibidores eram mais eficazes e ela sabia do meu histórico. =/ ). Mas o que importava era o que eu acreditava e o apoio de quem estava de fato do meu lado dia-a-dia foi, isso sim foi essencial para tudo. Eu fiz tudo isso pela minha saúde mental, mas só encontrei melhorias em todos os aspectos. Em outubro de 2016 eu retirei, poderia ter deixado um pouco mais, mas ja tinha atingido minha meta pessoal com o método.

Mês que vem faz um ano que tirei o tal balão e agora tento escutar meu corpo, continuo com atividade física e acompanhamento nutricional. Nesse período ja tive uma fase mais caxias, onde regulava tudo que comia e outras, como a atual, que tento encontrar um equilíbrio. Tem dia que bate preguiça e falto a academia, mas no dia seguinte faço questão de ir. Ah, não que seja o mais importante, mas com o balão eu eliminei uns 19kg (3kg por mês aproximadamente) e depois que tirei se foram também 8kg, sendo que ja fazem uns 4 meses que estou mantendo o mesmo peso. Ao total ja reduzi 27kg. Não sou “magra”, tenho 1,70 e pelo IMC preciso chegar aos 72kg para sair do sobrepeso e ser considerada dentro do peso “normal”, mas no momento não tenho metas (talvez só reduzir o percentual de gordura, rs).
Por enquanto quero continuar a realizar, fazer as coisas que me davam prazer e tinha deixado para trás (como sair para DANÇAR) e continuar conhecendo essa nova moça que andava escondida.

Ps1.: Sim, ambiente de academia é muito hostil para quem esta gordo, não deveria ser, mas é… Eu quase desisti varias vezes no começo por esse motivo e acabei saindo da aula de dança por isso, mas encontrei prazer em outras turmas (spinning, funcional e muay-thai). De toda forma, você não precisa ficar em um lugar que não se sente bem, mas também não precisa desistir, adapte e encontre o melhor lugar, se dê uma chance. Comecei a correr a pouco tempo e estou amando, não precisa de muito, basta um tênis e vontade…

Ps2.: O Balão foi o método que funcionou para mim no começo e a reeducação alimentar que continuei depois, não significa que seja a única alternativa e solução. O ideal é encontrar um profissional e ver as melhores opções para o seu caso. Mas olha se quiser, indico meu médico de olhos fechados, ele é incrível!

Ps3.: Minha nutricionista é a Dra. Fernanda Bassan da Clínica Biotipo, ela me acompanha desde o começo e inclusive agora que abracei o vegetarianismo de verdade. Apesar dela não ser vegetariana, ela acha super válido e super possível uma alimentação balanceada sem carne e tem experiência com outros pacientes (inclusive veganos), ela faz um acompanhamento bem individualizado. Sou fã! =)

Ps4.: A gente precisa se cuidar, se amar e cuidar uma da outra… Ouvi críticas muito duras sobre a minha aparência (e ouço ainda) e sim, sei que também ja emiti minhas “opiniões” sobre outras mulheres também. Mas a gente precisa se colocar mais no lugar da outra, porque magoar por magoar é cruel e o mundo ja é muito cruel com mulheres como um todo.

Ps5.: Se quiser conversar, só chamar… 😉

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